Correio do Cosmos: o jornal do viajante planar (Ganchos de Aventura)
Editorial da 1° edição (por Euclides Paralel)
Em qualquer lugar, comunicação é essencial. De sinais de fumaça à transmissões quânticas, a busca por informação e, por que não dizer, companhia, impulsionou o desenvolvimento de inúmeras civilizações através do cosmos. Mas um certo grupo, justamente aquele para qual informação e companhia são tão escassos, fica necessitado: os viajantes planares.
Durante suas longas viagens, um andarilho planar pode ficar isolado por semanas ou meses, em regiões inóspitas, ou em um lugar tão diferente de casa que se sente sozinho no mundo. Aqueles que lidam com problemas cósmicos se sentem ainda mais distantes, porque só um punhado de criaturas tem a mínima noção daquilo que eles enfrentam todo dia.
Para aliviar esses males, chegou a primeira publicação interdimensional da existência (conhecida): o Correio do Cosmos, levando informação e entretenimento esteja você nas estrelas do Sabre ou na meleca tediosa do Plano Elemental do Limo. Trazendo notícias de incidentes e eventos planares, matérias sobre culturas diversas e ofertas de trabalho para quem está preso em algum plano e precisa de um dinheiro rápido.
Pela própria natureza do tempo nos Planos, o recebimento das edições será irregular, mas estejam seguros que o trabalho na redação não para! Buscando cada vez mais produzir uma publicação de qualidade que sirva às necessidades do leitor, esteja ele onde estiver. Então, vamos à luta!
O Cálice Sagrado (Mega City)
Dentre as características que tornam Mega City uma cidade tão única, as tribos urbanas são uma das mais notáveis. De admiradores de super-heróis a ocultistas de garagem, toda forma de expressão e identificação pessoal se manifesta em suas ruas. E dentre essas, um movimento é particularmente notável: os cavaleiros urbanos. Pessoas que escolhem seguir os antigos ideais da cavalaria.
Alguns são mais contidos e decidem aplicar a honra da cavalaria a suas vidas comuns, mas outros buscam ativamente injustiças para combater, e aparecem com frequência envolvidos em incidentes na Cidade das Cidades e além. E um desses grupos alcançou grande notoriedade recentemente.
Chamado de Távola Redonda, esse grupo começou com alguns amigos de grande amor pelas lendas arturianas, que realizava torneios simulados e outras atividades como hobby, mas a coisa começou a ficar mais séria depois que um membro trouxe um cálice de metal para adornar a “corte”. Adquirido em um antiquário de Nova Memphis, a peça parecia perfeitamente normal, até os companheiros beberem vinho nele durante uma comemoração.
Aqueles que beberam passaram a demonstrar grande força e resistência, comparáveis a heróis mitológicos. Dotados desse poder, eles passaram a patrulhar a região, combatendo e coibindo criminosos. Há relatos de violência excessiva, mas não foram confirmados.
Estudiosos do oculto afirmam que esse pode ser o lendário Santo Graal, procurado por exploradores há séculos. Seria um reforço muito necessário às forças do bem. Outros, mais alarmistas, afirmam que não há apenas o Graal verdadeiro, mas diversas cópias, espalhadas para enganar aqueles que o procuram. Paródias carregadas de poder das trevas, que também concedem poderes, mas que corrompem o usuário com magia demoníaca!
Qualquer que seja a verdade, os cavaleiros precisarão de ajuda para proteger essa relíquia, ou na pior das hipóteses, de alguém que os detenha antes que eles sigam um caminho sem volta. A Universidade Braunn oferece uma boa recompensa a quem recuperar um artefato desses intacto, seja na versão pura ou demoníaca.
Quimera avistada em Yuden (Tormenta Alpha)
Um dos maiores vilões da história de Arton foi Mestre Arsenal, o sumo-sacerdote do Deus da Guerra Keenn. Famoso pela busca obsessiva por itens e artefatos mágicos poderosos, seu trabalho tinha um objetivo maior: a restauração da máquina de guerra gigante Kishinauros, trazida do plano natal do clérigo quando ele chegou à Arton. O Kishin marchou sobre o Reinado, a maior coalizão civilizada do continente, mas falhou. O poder de dezenas de nações unidas criou um colosso de poder comparável ao próprio Kishin, o Colosso Coridrian. Kishinauros foi destruído, e o destino de seu mestre é incerto, mas sua influência permanece.
Alguns membros do clero de Keenn buscam nos construtos e máquinas um poder similar ao de seu antigo sumo-sacerdote, se dedicando à fabricação e pesquisa de autômatos. E um grupo deles, tentando invocar uma máquina similar ao Kishin, conseguiu mais do que esperava: uma Quimera Proscrita, com piloto e tudo!
Dentre os planos mais afastados das rotas padrão, aquele que abriga a Constelação do Sabre é um dos mais desenvolvidos. Desprovido de magia, é um lugar de ciência e tecnologia avançadíssimos, capazes de replicar feitos que só seriam possíveis para os magos mais poderosos, e até de cruzar as estrelas. Suas guerras são travadas por máquinas de combate bípedes tripuladas, mais conhecidas como mechas ou, no jargão local, Hussardos. Em suma, robôs gigantes.
O principal ponto de acesso desse plano é a Constelação do Sabre, uma coalizão de 19 mundos que está em guerra contra um povo violento e desumano: os Proscritos. Ambos lutam com robôs, e enquanto os mechas do Sabre seguem o padrão humanoide, os invasores têm uma miríade de formas e habilidades, quase sempre monstruosos. E foi um desses que os clérigos invocaram.
O comportamento proscrito, dominador e brutal, conquistou rapidamente os clérigos de Keenn, que o veem como uma espécie de enviado, e seu robô como uma benção divina. O grupo passou a aterrorizar comunidades próximas, cometendo atrocidades raramente vistas no Reinado. Pior, os heróis locais simplesmente não tem recursos contra um oponente desse porte. Pedimos a todos os capazes que ajudem a livrar o Reinado desse mal.
Criatura Misteriosa Salva Trabalhadores (Brigada Ligeira Estelar)
Um dos locais mais impiedosos da Constelação do Sabre é Moretz, um planeta repleto de recursos naturais, mas completamente tomado por fungos tóxicos, onde só é possível viver em cidades voadoras e nas mais altas montanhas. O trabalho na superfície é feito de dentro de robôs gigantes, para evitar contaminação, mas a baixa qualidade das máquinas locais faz com que os trabalhadores morram infectados aos poucos. A vida é amarga e curta.
Além disso, o mundo é assolado por piratas aéreos e guildas corruptas. E o pior: as mesmas guildas que exploram a população são necessárias para manter a estrutura do planeta funcionando, mesmo que precariamente. A única maneira de mudar esse quadro é fazer o impossível: eliminar os fungos que infestam o planeta. E uma pista nessa direção pode ter sido encontrada.
Semanas atrás, um grupo trabalhando na superfície estava sob ataque pesado de jagunços, que queriam expulsá-los do território. Eles fugiram, mas avariados e isolados, havia pouca esperança de sobrevivência. Porém, o destino tinha outros planos.
Subitamente, uma criatura de proporções titânicas surgiu de dentro da floresta, apenas com sua bocarra imensa e desdentada visível, e engoliu o grupo. Após passar por parte do trato digestivo da criatura, eles acabaram em uma câmara de pele fina, translúcida, de onde era possível avistar o exterior. E a maior surpresa viria a seguir, pois os sensores dos robôs indicavam que o ar no estômago da criatura era puro, sem contaminação!
Apesar da hesitação inicial, eles puderam consertar seus mechas como possível antes de serem expelidos ilesos do estranho monstro, e assim voltaram para casa. Muitos descartam o caso como história de pescador, ou mesmo alucinação causada pelos fungos, mas outros acham que não é sábio subestimar uma possível pista para a purificação do planeta, mesmo que seja pequena.
A região onde teria ocorrido o encontro é inexplorada, e pode ser habitada por criaturas tão grandes quanto a encontrada, geralmente não tão dóceis. A Brigada Ligeira Estelar enviou um grupo para investigar, e as guildas locais certamente não ficarão quietas em relação a isso. Encontrar o monstro e protegê-lo de agressores (ou matá-lo) certamente não será fácil, e uma batalha de grandes proporções pode estar se aproximando.
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